quinta-feira, 29 de março de 2012

Sin título

Estoy muerta...
veo los coches...
las carreteras...
no veo nada...
no veo encrucijadas...
ni velas...
ni botes...
no veo la suerte...
no veo la muerte...
pero ella me ve...
estrechamente...
cada vez más...
cada día que paso sin vivir.

Chegará o dia em que todos lerão isso

Não sorrio nas fotografias porque não sou alegre.
Queime-me porque sou do fogo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Belos dias me assustam.

Coincidência ou não, as maiores desgraças de que eu já ouvi falar aconteceram em um belo dia. O que eu, particularmente, sempre achei muito estranho. Afinal, uma noite feia (com chuva, raios, trovões e lobos uivando por toda parte) me parece bem mais apropriada para catástrofes que um dia bonito com seus pássaros cantores e crianças sorridentes.

Ainda assim, o ponto nodal de qualquer história sempre me foi anunciado por “até que em um belo dia...”. Seis palavrinhas que passavam quase que despercebidas, “usadas para arredondar um período”, já me afirmaram alguns, ou então, “servem para ligar dois fatos em uma narrativa”, teorizaram outros. Mas não, para mim elas representam O Mal! Guardam em si um poder que pouquíssimas outras expressões possuem. Depois de tidas, colega, não tem mais como voltar atrás. Nosso cérebro dá até um clique pra gente saber que dali em diante é ladeira a baixo na certa.

Mas eu já saquei qualé. O objetivo é pegar o caboclo desprevenido. Pensa que tá tudo muito bom, que tá tudo muito bem, mas, de repente, PIMBA! a vida dá um centoeoitenta (pra pior, claro!) e o sujeito desmorona todo.

Acabei de ligar para o trabalho, aleguei conjuntivite. Não saio de casa, não atendo telefone, não ligo TV nem rádio; não abro correspondência, não recebo visita e não quero ler nem scrap. Café da manhã: 2 comprimidos de RIVOTRIL e um DRAMIM para ajudar a descer. Viver? Hoje não, obrigado. Tenho medo. Motivo: tá fazendo o dia mais bonito que meus olhos já viram.

- Dinho Marques -

sábado, 23 de agosto de 2008

Sapiens

Entro na farmácia. Encosto no balcão e espero para ser atendido. Do meu lado a farmaceutica atende uma aparentemente mãe que busca medicamentos para cuidar de um ‘ralado’ em, pelo o que eu entendi, uma criança. Em cima do balcão um vidro de Rifocina, um de água oxigenada e um de Merthiolate.
Começo a prestar atenção na conversa das duas. Aliás, coisa de praxe minha. Prestar atenção na conversa dos outros e ficar supondo como seja a vida deles.
O que foi me instigando e me deixando sem entender era a quantidade de perguntas que a tal mãe fazia. Como assim uma pessoa a aquela altura da vida não sabia como tratar de um ferimento? E olha que ela nem era tão nova. E olha que a lesão nem era tão grande. Percebi isso quando ela fez um gesto em seu próprio braço para mostrar o tamanho.
Como ela não sabia a diferença de lavar com soro fisiológico ou com água oxigenada? Quando na verdade ás vezes é muito melhor lavar apenas com sabão de coco.
Como ela não sabia que de acordo com o tamanho e tipo de ferimento não se usa pomada pra não manter umidade e retardar a cura?
Como ela não sabia que é muito melhor não cobrir ferimentos seja com gaze ou Band-Aid? Machucado precisa respirar.
Como ela não sabia o que é Rifocina? Pelo jeito era até bem capaz de ela não saber o que era Merthiolate.
Aliás, Merthiolate perdeu completamente o sentido pra mim quando passou a ‘não arder’. Lembro de quando eu era criança e precisava dele sentia um certo prazer naquela ardência. Era como assumir uma mea-culpa. Uma espécie de auto-flagelo a que me submetia. Ou até mesmo uma espécie de sentimento de glória por um novo arranhão. Acho que todo menino teve isso.
Merthiolate se não arde, pra mim não cura.
Mas voltemos à farmácia.
De repente chega o balconista pra me atender, me libertando assim daquela situação de inconformidade. Fiz meu pedido. Paguei. Peguei meu embrulho e fui embora.
Saí pela rua pensando na mulher e em como coisas tão óbvias pra gente podem ser absolutamente impensadas pra outras. E mais, tenho a grande certeza de aquela mulher tem o conhecimento de coisas que pra mim devem ser o mais instigante mistério.
Moral da história: Cada ser humano carrega consigo uma sabedoria própria.

domingo, 22 de junho de 2008

Depois do Sábado, o Domingo

Terra e ar não foram feitos um para o outro.
Três cervejas.
Um almoço.
Uma soneca.
Falta agora a sua ligação.

domingo, 25 de maio de 2008

Masoquismo

Nas brigas internas entre coração e razão, procurando ouvir a tudo, não exercitei minha imparcialidade e acabei derrotada, num desequilíbrio ímpar.
Nas brigas eternas, acabei ficando surda e optando pelas sensações, em detrimento das vozes que já não ouvia.
Sempre confusa, sempre contundida, no entanto feliz. Felicidade genuína.
E sem ouvir as vozes, ouvi os sons que o mundo me fez.
Ouvi um bater, bater, bater... muito insistente.
E entre os que dizem e os que fazem, mesmo que seja dor, gosto mais das manufaturas.
Das marcas de dedos e dentes, gosto mais.
E assim resolvendo meu dilema, a razão dizendo e o coração batendo.
Bate um tanto mais, pois sou masoquista confessa.