Nos dias de intravenosas eu me perco.
Me desconecto, me desconcentro e desconcerto.
Levei tanto tempo tentando consertar e no mais leve tremor, temor, cai o chão sob os meus pés.
Sou desorientada, desnorteada.
Eu não quero mais querer. Me impregnem de sedativos que me tirem a vontade.
Eu quero ser fria, gelada, quase-morta.
Quero cortar minha veia poética e vê-la sangrar.
Sangue é bonito. Vermelho é bonito. Quente é bonito.
Mas beleza é inútil. O sangue é amargo. Ser fria é útil.
Sangue frio é bonito e útil. Eu quero ter esse.
Me faz uma transfusão?
Me funde com alguém que arda como eu.
Não me cura da minha febre! Eu gosto dela.
É que ser quente doente é diferente.
Mas ser fria e sã seria muito melhor.
Me dê logo alguma razão. Injeta logo.
Nos dias de intravenosas eu me acho.
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